Eu e o tempo!

“Eu já disse tantos “basta”, tantos “nunca mais” e voltei atrás.

Já achei que tinha chegado ao limite e, ainda assim cedi repetidas vezes.
Acreditei que era necessário, me ignorei e aceitei tudo de novo.
Naufágios emocionais, naus frágeis...
Buscando o bálsamo, numa balsa a esmo.
Vi a ferida, via errante, veia partida,
Há o remédio, há o remendo.
Ainda hoje aceitei o que não compreendia, chorei por quem não devia, me deparei com o que não queria.
Estive em lugares improváveis, descobri verdades inaceitáveis, confrontei emoções há muito escondidas.
Quisera eu entender o tempo e não perdê-lo.
Mas o tempo é o tempo, é um moleque caprichoso, fugaz e tem um riso de canto de boca que me confunde, hora parece ironia, hora sabedoria...
Sei não, me parece que com o tempo, o limite que nos cerceia vulnerabiliza cada ponto, desmistifica cada crença, desconstrói cada ideia preexistente.
Até que por fim, tomamos a verdadeira consciência de que fortes somos, quando tudo parece dizer ao contrário.
E revivemos...

VAN bora!

Não é porque você me olha
É o desafio.
Não é porque você me toca,
É o arrepio.
Não é porque você se vai
É o fico...
A tortura de esperar
Desespero de tocar outra vez
Sentir teu gozo junto do meu.
Fica em mim, você
Cheiro, gosto e gotas
Fica em mim, querer
Corpo, alma e boca.
Me perdi na tua lábia
Lábios de perigo.
O que falas, o que  lambes, o que beijas...
Fôlego falta!
Não é porque você me beija
É o cio
Não é porque você deseja
É o vazio
Não é pra que ninguém veja
É que eu me apaixonei...

Insono.

Ainda que seu sono fosse o meu
Ainda assim eu não dormiria
Sua agitação atravessa o dia
E te acolhe nos sonhos
Ainda que eu estivesse acordada
A lentidão do descanso que não vem
Esperaria tua mão para entrelaçar
Teu sono tranquilo, me inquieta
Os espaços que não preencho, me abrem feridas lacunas
Dúvidas são sobras de um tempo á toa
Uma escolha - enfim...
Sombra de mim dança na madrugada
Horas perdidas
De quem muito pensa
E não faz nada!!!

Maria

Menina tocante - mel
pleta flor
Mãos em pétala
Inspira canção.
Instiga meu dom!
Música tocando em mim
Com letra lenta e tudo
Insiste a salivar meu céu.
Arrebata alma calada
Musa melodia
Tua nuance, suave cantoria.
Tua voz
lava de Mi
Notas em Si
Particular a
Em silêncio leva meu Sol
Para
Tão longe, me perco de mim
Ouvi...
Enfim abriu a luz
Noite essa em branco papel
De linhas azuis.
Toque gaiata - Meu eu
No sopro da gaita
Ah, menina tocante
Suave ritmo a mudar o curso
No exato instante
De se deixar partir...
Instrumento - Eu
Letras e sons
Verdades em tons
Variadas vidas de uma só
Maria nós.
Amor nasce canção.

Tudo a puta que os pariu.

É o medo, é complexo

É o tiro sem nexo

É o erro, é reflexo.

Farra no planalto

Mãos ao alto

Se a clava da justiça fosse forte, não nos

Desafiaria em nosso leito à própria morte.

Se no penhor dessa igualdade

Conseguíssemos o berço esplêndido

Mamaríamos em teu seio, ó liberdade.

Recebendo o afeto que se encerra

Em nosso jeito varonil.

Quer ficar na pátria, livre?

No peito e na raça

Com ginga e com graça

Com samba na praça.

Num céu cor de anil...

De tantos mil és mãe gentil?

Uns filhos deste solo

São uns filhos da puta

Pela própria natureza

Que fogem da luta

E vão risonhos atrás do sol do novo mundo.

Se o teu futuro espelha essa grandeza.

Se quem trabalha é vagabundo

Quem será por nós?

Ninguém sabe, ninguém viu.

É a guerra civil?
E o direito civil?

Tudo a puta que os pariu.

Mamátria amada, tão vil!